Entre pessoas com mais de 78 anos, a pressão que parece normal no consultório, mas sobe em casa, foi associada a mais quedas. Esse grupo teve uma taxa de quedas 70% maior que a de quem tinha a pressão alta nos dois lugares. É o que se chama de pressão alta mascarada. O resultado é preliminar e saiu no congresso de hipertensão da American Heart Association (Associação Americana do Coração), em Arlington, na Virgínia.
Segundo a divulgação do estudo, é a pressão baixa que costuma ser vista como risco de queda. O mesmo texto diz que surgem indícios de que a pressão alta medida em casa também se associa a mais quedas em idosos. Os pesquisadores ainda trataram a diferença entre as duas leituras como uma escala contínua. Quanto mais baixa a pressão do consultório em relação à de casa, maior foi a incidência de quedas.
Os 758 participantes tinham de 78 a 98 anos, com idade mediana de 83. Do total, 59% eram mulheres, 17% se declararam negros e 82% já tomavam remédio para baixar a pressão. Segundo a divulgação, essa faixa de idade cresce rápido nos Estados Unidos e ainda é pouco estudada.
Todos fazem parte do ARIC, sigla em inglês de um estudo sobre o risco de aterosclerose (o acúmulo de placas nas artérias) em comunidades. Ele começou a recrutar participantes em 1985, em quatro comunidades da Carolina do Norte, do Mississippi, de Minnesota e de Maryland.
A pressão de cada um foi medida de dois jeitos. No consultório, foram três leituras com um minuto de intervalo, depois de cinco minutos sentado. Com um aparelho levado para casa, as medidas foram feitas de manhã e à noite, em 8 dias não seguidos de 2023. As quedas vieram do relato dos próprios participantes, em ligações anuais da equipe de saúde.
Pelas duas medidas, 34,5% tinham pressão alta nos dois lugares, 15,4% tinham a forma mascarada e 33,2% estavam com a pressão normal. Num acompanhamento de quase um ano (mediana de 350 dias), 23,4%, quase 1 em cada 4, contaram ter caído pelo menos uma vez nos 12 meses anteriores.
Quedas são a principal causa de incapacidade e de perda de função em pessoas com 65 anos ou mais, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. A diretriz de 2025 da American Heart Association recomenda medir a pressão todo ano em todos os adultos. Ela também indica a medida em casa para confirmar o diagnóstico feito no consultório e acompanhar o tratamento.
Frances Wang, pesquisadora do Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston, apresentou o estudo. Para ela, medir a pressão em casa traz informação valiosa, pode ajudar a orientar o tratamento e pode revelar pacientes com risco oculto de queda. Wang espera que idosos, familiares e cuidadores meçam a pressão em casa com regularidade e levem os dados à equipe de saúde.
Karol E. Watson, especialista voluntária da American Heart Association e titular de uma cátedra de medicina na UCLA, não participou do trabalho. Para ela, a pressão “normal” do consultório nem sempre é o fim da história. Watson ressalva que o estudo não explica por que o risco de queda foi maior. Segundo ela, o resultado pode estar mostrando algo sobre a variação da pressão e sobre quanto os idosos conseguem regulá-la, ou não, ao longo do dia.
