A maior colônia de pinguins-de-humboldt do Peru está quase vazia. Na reserva de Punta San Juan, no sul do país, havia cerca de 3.000 dessas aves em 2012. Em 2025, restavam menos de 500, segundo reportagem da Science News.
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Modo Vitta: Foco e EquilíbrioPara mentes que não param: alinhe tarefas, rotina, hábitos, foco e metas num só app.Ver no Google Play →A queda veio em etapas. A gripe aviária se espalhou pela reserva em 2022 e 2023. Ela derrubou as populações de aves marinhas e chegou a mamíferos como leões-marinhos e focas.
Depois veio o El Niño, um padrão do clima com meses de água do mar mais quente que o normal no leste do Pacífico equatorial. Segundo a reportagem, essa água quente empurrou a anchova, principal alimento dos pinguins, para mais fundo e mais longe da costa. A pesca industrial pressionou ainda mais os animais que sobraram.
Um pinguim do deserto
O pinguim-de-humboldt é uma das poucas espécies de pinguim do deserto. Ele vive na costa seca do Peru e do Chile. Faz o ninho em buracos cavados no guano (as fezes de aves acumuladas no chão) ou em pequenas cavernas nos penhascos.
Punta San Juan é uma península árida no sul do Peru, cercada pelas águas geladas do Pacífico. Em 2012, a reserva abrigava mais de um quarto de milhão de aves marinhas. Entre elas estavam 300 mil cormorões da espécie guanay.
A nova ameaça
Agora a reserva enfrenta um possível super El Niño. A água do mar muito quente está perturbando as águas frias e cheias de peixe da Corrente de Humboldt, que passa pela península.
A repórter da Science News voltou ao local em julho. Desta vez, ela viu só cinco pinguins e vários ninhos abandonados, com ovos frios.
Quando falta comida, os pinguins param de se reproduzir ou deixam o ninho para buscar um lugar melhor, explica a ecóloga Susana Cárdenas-Alayza. Muitas vezes, eles morrem de fome no caminho, diz ela.
Cárdenas-Alayza dirige há mais de 20 anos o Programa Punta San Juan. O trabalho é feito em parceria com a Universidade Cayetano Heredia, o governo peruano e zoológicos dos Estados Unidos. Ela diz que, como cientista, está acostumada a lidar com números e variáveis controladas, "mas doenças e eventos climáticos fogem do meu controle".
O que os cientistas fazem
A equipe dela está criando ferramentas de inteligência artificial para acelerar a análise dos dados de câmeras remotas. Essas câmeras acompanham a reprodução dos pinguins que sobreviveram.
Os pesquisadores também capturam espécies invasoras que atacam aves jovens, como raposas e ratos. E pressionam o governo para reforçar um muro de concreto que protege a reserva.
Em julho, Cárdenas-Alayza explicou a situação a novos membros do Congresso do Peru. Ela e outros pesquisadores fazem pressão por cotas de pesca mais rígidas. Eles defendem ainda uma estratégia de restauração que envolve comunidades de pescadores, empresas, estudantes e até chefs de cozinha locais.
Há décadas, voluntários do Peru e de outros países contam as aves, registram o que elas comem e constroem ninhos artificiais para proteger os filhotes. No verão de 2025, eles criaram uma "patrulha dos pinguins". O objetivo era proteger as aves dos trabalhadores que recolhem guano, que é rico em nitrogênio e usado na agricultura.
Os próprios trabalhadores quiseram ajudar. Eles ergueram um muro temporário de meio quilômetro, feito de sacos de guano, para proteger os pinguins no caminho diário até o mar.
Por que importa
Ninguém sabe quanto tempo o El Niño atual vai durar, nem quando os peixes vão voltar, segundo a reportagem. Mesmo assim, Cárdenas-Alayza diz que ainda tem esperança. Muitas espécies de Punta San Juan são fiéis ao seu território. Mesmo quando saem em busca de comida, elas acabam voltando.
O passado dá um exemplo. O El Niño de 1997 e 1998 dizimou os leões-marinhos e as focas da reserva, e o número de pinguins caiu para poucas centenas. Mas os animais tiveram uma recuperação notável, ajudada por uma grande redução nas cotas de pesca da anchova em 2006. O exemplo é contado pela bióloga Patricia Majluf, que fundou o programa em 1979.