A Tesla fechou um acordo com o governo da Alemanha para tentar liberar seu sistema de assistência ao motorista em toda a União Europeia. Do lado da empresa, saem o nome antigo e parte da velocidade. Do lado alemão, entra o apoio no processo de aprovação do bloco, segundo o Electrek.

Na Europa, o sistema vendido como “Full Self-Driving (Supervised)”, ou direção autônoma total (supervisionada), agora se chama “Tesla Assisted Driving”, direção assistida da Tesla. O site alemão da empresa já não menciona o nome antigo, e o endereço velho leva à página nova. A troca foi oferecida pela própria Tesla em setembro, em conversas com o ministro dos Transportes, Steffen Bilger, de acordo com o ministério.

A outra parte do acordo é a velocidade. Segundo a Alemanha, o sistema pode andar até 10% acima do limite da via, e o país vai sustentar essa posição na aprovação europeia. Para isso, a Tesla precisará mudar o software, que com frequência passa bem desse limite, segundo o Electrek. A versão aprovada na Holanda permite até 50% acima do limite detectado, segundo a agência Reuters.

Bilger disse querer que os motoristas de Tesla possam usar o sistema em toda a UE o mais rápido possível. Elon Musk agradeceu à Alemanha na rede X com um “Danke schoen”, muito obrigado em alemão. Segundo o TechCrunch, o presidente-executivo da Tesla dirigiu o agradecimento ao ministro.

Ainda falta a aprovação do bloco. A página da Tesla lista oito países da UE onde o sistema está aprovado: Holanda, Lituânia, Estônia, Dinamarca, Bélgica, Eslovênia, Tchéquia e Croácia. A Alemanha ainda não está na lista. A votação do bloco ficou para dezembro, no mínimo, e a aprovação exige 15 dos 27 países, que somem 65% da população da UE. França e Suécia já levantaram preocupações sobre excesso de velocidade.

Musk pressiona há anos pela liberação na Europa, segundo o TechCrunch. Em junho de 2025, escreveu no X que o sistema “vai salvar vidas” de quem está no carro e de pedestres, ciclistas e animais. Em março deste ano, reclamou do “peso regulatório extremo” da UE. Poucas semanas depois, a Holanda virou o primeiro país europeu a aprovar o sistema.

Na quarta-feira, a Reuters relatou que a campanha da Tesla pela aprovação europeia se apoiou em pesquisa de segurança falha da própria empresa. A agência também relatou que o RDW, órgão holandês de segurança de veículos, sofreu forte pressão da Tesla e de seus apoiadores na internet, segundo o TechCrunch.

A Alemanha queria um nome novo, e o porquê está no comunicado do Ministério Federal dos Transportes alemão, de 6 de outubro. Para o ministério, o nome antigo engana, porque o sistema não assume a tarefa inteira de dirigir. O motorista precisa prestar atenção o tempo todo e continua totalmente responsável pelo carro.

Na página da empresa, pouco mudou além do nome, na avaliação do Electrek. A página alemã é uma tradução da página americana com o nome do produto trocado, segundo o Electrek. Ela ainda diz que o carro leva o motorista “quase a qualquer lugar”, sob supervisão ativa.

A página também afirma que o sistema é “7 vezes mais seguro” que motoristas humanos, mas uma nota da própria Tesla diz que a comparação é com a média estimada dos Estados Unidos. A página termina com uma seção que promove o Robotaxi e o Cybercab.

Em outubro de 2016, a Tesla disse que todo carro que fabricava tinha o equipamento para direção autônoma total. Em abril de 2019, Musk disse que a Tesla teria mais de um milhão de robotáxis nas ruas em 2020. Depois, a empresa admitiu que os carros vendidos de 2016 a 2023 como capazes disso não têm o equipamento necessário, segundo o Electrek.

Em dezembro passado, um juiz da Califórnia chamou o nome de “inequivocamente falso”. O sistema também está no centro de investigações federais e de processos civis por acidentes em que estaria em uso, segundo o TechCrunch. Seu antecessor, o Autopilot, ligado a dezenas de mortes, foi descontinuado este ano, depois que um juiz concluiu que a Tesla fez propaganda enganosa sobre ele.

Nos Estados Unidos, o pacote segue à venda com o nome antigo, “Full Self-Driving (Supervised)”, por US$ 99 por mês.