Todo livro de biologia traz o mesmo desenho: um axônio como um tubo liso e uniforme, do tipo que só engrossa nos pontos onde faz contato com outro neurônio. Essa imagem está no material didático há mais de cem anos. E, segundo uma pesquisa da Johns Hopkins Medicine, ela está errada.

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Usando uma técnica chamada criofixação sob alta pressão -- que preserva a estrutura da célula congelando-a, em vez de desidratá-la com produtos químicos como os métodos tradicionais --, os pesquisadores descobriram que muitos axônios se parecem, na verdade, com um colar de pérolas: uma sequência de pequenos inchaços que se repetem ao longo de todo o fio, e não só nos pontos de comunicação entre neurônios. O líder do estudo, Shigeki Watanabe, comparou a diferença de método a "congelar uma uva em vez de desidratá-la até virar uma passa".

As pérolas mudam de tamanho -- e isso afeta a velocidade do sinal

Essas pérolas não são fixas. Em testes, aumentar a tensão da membrana do axônio deixava os inchaços menores, e remover colesterol da estrutura reduzia a velocidade do sinal elétrico -- como se os íons passassem mais rápido por um espaço mais largo, sem engarrafamento. Estimulação elétrica de alta frequência fez as regiões de pérola crescerem cerca de 8% em comprimento e 17% em largura, mudança que durou pelo menos 30 minutos e deixou a transmissão do sinal mais lenta por pelo menos uma hora.

A descoberta original, com neurônios de camundongo, saiu na revista Nature Neuroscience em dezembro de 2024. A confirmação de que a mesma estrutura aparece em tecido cerebral humano veio depois, publicada na revista Neuron em fevereiro deste ano.