Normalmente, um mecanismo de defesa existe pra proteger alguma coisa. Só que um grupo de cientistas da Universidade de Vermont achou um jeito de virar justamente essa lógica contra o câncer: eles descobriram como desligar a proteção que o tumor usa pra sobreviver, fazendo com que ele se destrua por dentro.

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O alvo é uma enzima chamada PRX3, uma espécie de escudo antioxidante que protege as células cancerígenas do estresse oxidativo -- o acúmulo de substâncias reativas que, em excesso, mata a célula. O medicamento experimental, batizado de RSO-021, desliga esse escudo de propósito. Sem ele, o peróxido de hidrogênio se acumula dentro da célula tumoral até ela morrer.

Primeiros testes em gente, com foco no mesotelioma

A pesquisa, liderada pelo professor Brian Cunniff e pela cientista Victoria Gibson, começou por volta de 2015 e virou um ensaio clínico de fase 1 no Reino Unido, entre 2022 e 2023, sob supervisão da agência reguladora britânica (MHRA). O alvo foi o mesotelioma, um câncer agressivo ligado à exposição ao amianto e com poucas opções de tratamento eficazes -- o remédio foi aplicado direto no peito dos pacientes, por cateter.

Os resultados: a doença foi controlada em 67% dos participantes. Num grupo de 15 pacientes, o tempo médio sem progressão do câncer foi de 4,2 meses, e a sobrevida geral ficou acima do que se costuma ver com os tratamentos padrão. Cunniff descreveu os números de sobrevida como um possível "divisor de águas". Ainda assim, a própria pesquisa reforça que os dados são preliminares.

Ainda falta um caminho longo

A pesquisa foi publicada na revista Nature Communications, mas segue em estágio inicial: a fase 2 do ensaio já terminou, só que os resultados ainda não foram apresentados, e uma versão em comprimido do remédio (hoje ele só existe pra aplicação local) ainda está em desenvolvimento. Ou seja, é um resultado animador, mas que precisa de bem mais validação antes de virar tratamento disponível de verdade.